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Perseutimentos I

Fico cada vez mais convencido que o que acontece no passado fica muitas vezes condenado ao enclausuramento forçado e impenetrável. De nada adianta procurar reparar pontes que anteriormente ligavam quilómetros de sentimentos e cumplicidade. As pessoas simplesmente seguem o seu caminho e nos deixam para trás, assim como algumas vezes deixamos algo perdido e já não nos recordamos do quê, como e porquê. É como se tudo o que aconteceu nunca tivesse acontecido.

- "Do que estavas à espera? Em que mundo pensas que vives, afinal?". - Costuma dizer o meu melhor amigo. E, de facto, não sei responder. Quiçá tenha ainda de me adaptar, porque continua a ser estranho ver alguém tão afastado depois de ter sido companhia assídua, por tanto tempo, e percorrido por ela inúmeras vezes o céu e o inferno. É angustiante, agora, estar do lado de fora, igual a um desconhecido, como se nunca tivesse lá estado e partilhado, entre nós, o nosso mundo repleto de inúmeras palavras e actos, cheio de felicidade, esperança e amor... Será que fui eu o único que viu o que agora tanto esconde ou faz de conta que esqueceu? Não falamos abertamente há algum tempo e tudo o que queria era fazer parte novamente, porque talvez, mesmo não estando, seja eu quem possui segunda morada na escuridão e precise de alguém que me conheça, novamente, do meu lado.  Mas o que importa, não é? No final de contas, o tempo não é só a causa da mudança das estações nem da cicatrização de feridas. É, também, o principal propulsor do esquecimento, especialmente das memórias reprimidas e, em consequência disso, abandonadas e tudo o que as acompanha é levado por arrasto.

 Às vezes tenho a sensação que fui uma espécie de purgatório, um refúgio para escapar às trevas e uma escada de acesso ao paraíso, condenado a nunca poder lá entrar. Cumpri o meu papel religiosamente num jogo, disposto a sacrificar-me, no fundo, por uma rainha com vestes rasgadas e coroa de papel dourado.

Apesar de tudo acredito que aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam totalmente sós. Deixam um pouco de si, mas, também, levam um pouco de nós. E é por isso que toda a separação, quando chega, ainda acaba por manifestar um misto de mágoa  e saudade.

 O melhor mesmo é não deixar morrer nenhum laço, nunca vacilar, nunca duvidar, nunca subestimar, nunca tomar como garantido para nunca perder.  E não será excesso de zelo dizer o quanto se gosta ou o quanto se ama e fazê-lo como se o amanhã não viesse. Pois o amanhã será bem melhor com quem quiser ficar para o ver nascer na nossa companhia. É por essas pessoas que vale sempre a pena lutar.








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